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This is the journal of my 2 year trip to Japan. "Why are you going there?", people ask me. I usually reply, "To learn about intelligent robots". But I'm thinking of using a better one, "To get these damn robots out of my mind!" -- Ricardo Carnieri

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Saturday, May 22, 2004

Estou na reuniao de pesquisa do laboratorio. Agora o Imaizumi san esta apresentando algo sobre Carbon Nanotubes, mas como eh em japones resolvi fazer outra coisa.
Quinta a noite tive uma super conversa com o Wang san, um chines do Kaikan. Ele esta no primeiro ano do mestrado, pesquisando Term Rewrite Systems, whatever that is. Ele tentou explicar mas nao entendi. Ele achou interessante redes neurais esta pensando em associar com rule systems, mas nao sei como!
O professor criticou muito a apresentacao do Shimy, egipcio, porque ele foi muito generico e falou o que todo mundo ja sabia sobre CNT. Eh dificil saber que nivel de detalhamento eh conveniente para a reuniao de pesquisa. Pelo jeito o professor nao achou minha apresentacao tao ruim; falei dos K Sets do Freeman; eh um modelo computacional do cerebro, criado em 1975. Mas eh muito complexo e ninguem entende o que pode-se fazer com este modelo. Teria sido melhor se eu tivesse conseguido fazer mais simulacoes, mas nao deu tempo. Eu tambem deveria ter sugerido uma implementacao desse modelo, por exemplo no Character Face Robot.
Mudando de assunto... finalmente saiu a bolsa. Mas agora ja me acostumei a nao gastar muito, entao vou tentar nao gastar muito. Mas as minhas despesas com comida sao extraordinarias, porque nao tenho muito tempo para cozinhar (e as vezes vontade tambem nao; mas ja estou experimentando).
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Thursday, May 20, 2004

Ontem, quarta, assisti uma palestra do Gunnar Johannsen, da University of Kassel, Alemanha. Ele trabalha com interfaces homem-maquina envolvendo som. Atraves dele soube do Marcelo Wanderley que pesquisa sintese de som atraves do controle de gestos.
Sabado tem uma reuniao de pesquisa do laboratorio; vou apresentar algo sobre modelos computacionais do cerebro, em especial os K sets. Mas antes tenho que entender como funcionam! Por isso ainda estou na frente do computador, as 2 da manha.
Parece que esta vindo um tufao. Em Okinawa esta ventando e chovendo forte, e a previsao eh de que Nagoya seja atingida.
Ganhei um apelido da Juita e Orm mas nao conto qual eh.
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Tuesday, May 18, 2004

Hoje a aula foi diferente: foi tivemos visita, uma aluna da universidade. Conversamos durante uma hora e meia; acho que entendi uns 10 porcento do que ela falou. Deprimente. Estou novamente na fase de achar que ainda nao sei nada de japones.
Depois da aula assisti uma palestra do Kawahara san, da Denso Corporation. Muito interessante, mas como foi em japones nao entendi muito. Gostei a parte sobre navegacao automatica de veiculos.
Mais a tarde, estava no laboratorio lendo um artigo quando vieram Ikemoto san e Wakuda san conversar sobre o que eu quero pesquisar no laboratorio. Wakuda san eh aluno de doutorado, trabalha com soft computing e atualmente esta fazendo um sistema para identificar se uma pessoa esta dormindo, acordada ou com sono. Ikemoto san tambem esta no doutorado e trabalha no projeto CEBOT: swarm intelligence, Turing instability, reaction-diffusion systems, etc.
Depois fui no escritorio do professor e conversamos bastante. Ele acha que eu devo fazer umas simulacoes do modelo do Freeman (K sets), mesmo que sejam simples (as simulacoes, nao os K sets!), para aprender. Ele falou sobre: ruido como uma maneira de estabilizar sistemas, intencionalidade, emocoes, nao ler zilhoes de artigos, tentar entender a essencia do que eh lido e ver o que esta faltando na pesquisa dos outros. Acho que estou no lugar certo, mas tenho que me virar.
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Saturday, May 15, 2004

Quinta-feira choveu. Fui à universidade de ônibus e voltei de metro. Na entrada da estacao de metro, que fica na frente da universidade, encontrei a Sato-san, amiga do Hiro e Richard. Fomos juntos ate Imaike, onde nos despedimos; ela desceu, eu ainda tinha um metro para pegar. Da linha Higashiyama ate a linha Sakura-dori havia umas estudantes japonesas conversando e fazendo baderna. Uma delas acidentalmente derrubou o guarda-chuva na escada, e falou para mim: “I’m sorry”. Nao gostei de ela ter falado ingles, entao respondi: “Doushite eigo de hanashimashita ka?”, ou seja, “Por que voce falou em ingles?”. Ela ate que saiu-se bem, respondendo algo como “porque eu gosto de falar ingles”. Eu respondi, “E eu, japones”. Elas riram.
Finalmente estou estudando no laboratorio diariamente. Inventei um metodo bom para estudar: eu nao levo o laptop ao laboratorio, assim nao perco tempo vendo emails, e fico ate perto das 7 da noite. Assim eu me concentro mais. Os artigos sobre analisar o cerebro como um conjunto de sistemas dinamicos nao-lineares sao interessantes, mas eh dificil saber por onde comecar. O jeito eh adotar o que parece ser o lema do sensei, “Do it now!”.
Hoje o Matthew fez sukiyaki. Ficou muito bom, mas eu preferi comer sem ovo cru.
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Wednesday, May 12, 2004

Para complementar as explicacoes de SVM (support vector machines) do Mauricio no domingo, hoje fui visita-lo na Meikoudai (Nagoya Institute of Technology). Primeiro ele tentou explicar classificadores, vetores de suporte, funcoes de kernel, transformacoes de espacos, etc; acho que entendi a ideia geral. Depois eu falei sobre neurociencia, sistemas complexos e robotica epigenetica, mas viajei demais.
Hoje ganhei futon e TV. Futon do Dorival e esposa, que estao indo embora amanha. TV do Mauricio e Mami; cada vez que vou la ganho alguma coisa!
Uma asiatica de pais desconhecido acabou de arrotar, aqui na sala de computadores do kaikan. OK.
Alias, sobre as japonesas: ja falei que elas têm as pernas tortas. Mas quando estao andando de bicicleta, ficam ainda mais tortas.
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Tuesday, May 11, 2004

Finalmente consegui conversar com o sensei sobre neurociencia, modelos matematicos do cerebro e sua aplicacao em robos. Ele parece ter gostado do assunto, ate citou alguns trabalhos e pesquisadores. Agora vou ler alguns trabalhos de Walter Freeman e Michael Arbib.
Hoje foi um pessoal filmar no laboratorio. Eles trabalham em uma emissora de TV na Franca, e estavam fazendo um documentario sobre o Brachiation Robot do Fukuda Lab. Aquele robo eh impressionante!
Conheci o Steve, do Haiti. Esta no Japao ha 5 anos e parece ser uns dos que falam melhor a lingua.
Agora preciso ir estudar, porque ashita wa nihingo no tesuto desu.
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Sunday, May 09, 2004

Creio que um mes de Japao esta comecando a surtir efeito. O numero de palavras que reconheco ao ouvir uma conversa, ou ao tentar participar de uma, esta aumentando a cada dia. Mas esse aumento nao eh linear; se num dia penso que nunca vou aprender essa lingua estranha, no dia seguinte sou elogiado pelas minhas habilidades niponicas. E se penso que nao eh assim tao dificil, logo enfrento uma situacao em que nao consigo absolutamente me comunicar.
Parece-me que assistir anime tem ajudado. Consigo reconhecer varias expressoes que nao sabia antes de vir ao Japao. Creio que apenas ir as aulas nao serve de muita coisa; eh necessario praticar o que eh aprendido formalmente de uma maneira mais divertida, porque a memoria esta associada aos sentimentos.
Nao me senti solitario (alem do meu normal, quero dizer) nenhuma vez. Talvez chegue o dia, mas morando aqui no kaikan nao creio que isso seja um problema. Alias, eh justamente por passar muito tempo com os outros estrangeiros que nao estou aprendendo japones como deveria. Ja ir a bares com amigos japoneses eh uma das experiencias mais frutiferas para o aprendizado da lingua. Pode ser que estar em ambientes de conversas desinibidas e com a mente (ligeiramente) afetada pelo alcool, ouvindo japones por todos os lados, lendo menus em katakana e comendo pizza com hashi tenha algo a ver.
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Friday, May 07, 2004

Eh um pouco tarde para escrever minhas primeiras (primeirissimas) impressoes do Japao; mas a maxima antes tarde do que nunca ajuda-me a combater meu idealismo infantil.
No aviao rumo a Narita, recebemos toalhinhas para lavar as maos antes das refeicoes. Aquecidas. Claro que ja vi isso antes, mas no Japao isso eh bem comum, oshibori. Tambem ganhamos uns amendoizinhos que eram doces e salgados ao mesmo tempo; isso eh uma agressao terrivel ao meu paladar ocidental, mas comi tudo!
Adivinhe quem nao estava no aeroporto? Minhas malas! (assim como a de quase todos os brasileiros). Os funcionarios do aeroporto ficaram transtornadissimos, praticamente preencheram os formularios de delayed baggage para nos, escreveram nossos enderecos em kanji, etc.
Ficamos no hotel do Narita International Airport. Depois de descansarmos, o Rafael, amigo do Lucas, apareceu para irmos comer alguma coisa. Fomos no aeroporto mesmo, mas as lanchonetes estavam fechando e acabamos comendo uns trubiscos num Starbucks. Relutei muito para pagar 470 ienes no meu primeiro lanchinho. Para o Japao eh caro, mas afinal estavamos no aeroporto de Toquio; era de se esperar. Mas para o Brasil eh carissimo, quase 15 reais (depois de uma semana me desestressei com os precos exorbitantes).
Acordei as 4 e meia da manha. Perto das 9 fomos levados para a estacao de trem, de onde fomos (com lugar marcado) para a estacao de Tokyo. Logo pegamos o Shinkansen. Realmente eh rapido.
Ah, lembrei de algo importante. Entre Tokyo e Nagoya, em momento algum deixei de ver construcoes.
Em Nagoya, desci do Shinkansen e ja encontrei dois futuros colegas de laboratorio que foram me buscar. Fomos de taxi ate o Kaikan. Nagoya: casas de dois andares de tom pastel. Sakura indo embora. Casas com portas dando diretamente na calcada. Ruas limpissimas.
Fomos do Kaikan ate a Universidade conhecer o sensei. Chinelos para entrar no laboratorio. Que alias eh uma tremenda bagunca. Mostrei algumas fotos do Brasil na internet para alguns colegas. Os japoneses tem medo de falar ingles, mesmo quando sabem.
O sensei eh legal, ele gosta de aprender sobre outras culturas. E tem uma risada engracada, nunca ouvi algo parecido.
Wisnu levou-me de volta ao Kaikan, de onibus. Kikuzonocho-1chome. Eh importante decorar o ponto de onibus, para nao ir parar nos quintos. Mas decorar os kanjis de kikuzonocho…
Vozes gravadas por todo lado: elevador, telefone publico, metro, you name it. E sempre a mesma voz.

Sexta sai com o Mauricio, conheci a Meikoudai, conheci Dionisio e outros, Mami, restaurante italiano, irasshaimase! Grazie.

Aqui eh diferente. Eu gosto.
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Monday, May 03, 2004

Hoje tirei o dia para nao fazer nada. Mas nao consegui, acabei indo com Matthew, Joanne, Neil e Lucas ao museu. Foi um dos museus mais cansativos que ja vi: alem de nao ter almocado, todas as explicacoes estavam em japones. Havia uma exposicao sobre Mandala: divindades do budismo tibetano e nepales. Arrependi-me de nao ter lido algo sobre o assunto de antemao; nao entendi nada da simbologia.

No museu percebi que ainda vai levar muito tempo e estudo para entender alguma coisa desta lingua dos infernos. A Joanne, que mora no Japao ha 2 anos e tem ikkyu (nivel maximo de proficiencia na lingua japonesa) tinha dificuldade em entender as explicacoes no museu.

Depois do museu cozinhei, li algumas coisas do laboratorio, mas estou com dificuldade em me concentar. Entao fui assistir um anime com o pessoal do Kaikan. Laputa, castelo flutuante. Muito bom.

Eh isso. Oyasuminasai.
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Saturday, May 01, 2004

Ontem a noite fui dormir tarde apos beber suco com vodka junto com Marcos, Freddy, Manuel e Choo. Acordei na hora do almoco, e o pessoal do ACE ja estava no salao de festas. Eu e Lucas rapidamente preparamos umas coisinhas para participarmos. O pessoal da ACE cujo nome recordo: Norio, Yumie, Hiroki (que nos levou uma vez ao zoologico), e o resto esqueci. Minha memoria para nomes anda terrivel ultimamente.

Apos a festa fomos em cambada para a loja brasileira The Amigos. Comprei frango baratinho e algumas coisas que faltavam, como azeitonas (sim!). Cheguei em casa, tomei um banho correndo, mandei um C-Mail para o Richard (australiano) avisando que ia chegar atrasado, e me mandei pra Hoshigaoka de metro. La conheci Hiro, faz graduacao junto com Richard em historia. Logo chegaram Myuki e Ai e fomos jantar. Insisti para que conversassemos em japones. Mas o Hiro fala muito rapido, impossivel entender qualquer coisa. Durante o jantar chegaram Juita e uma amiga que vai estudar na Malasia, Katoo. Em seguida fomos ao boliche, que foi bem divertido. Tambem la estavam Charles e Nirmal (Tanzania).

Hoje contaram-me que no Japao os love hotels tem TV gigante onde voce pode assistir qualquer filme e jogar qualquer jogo de Playstation 2. Soh no Japao mesmo.

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